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terça-feira, 10 de junho de 2014

Metal Hammer: A história secreta do Avenged Sevenfold

A edição de junho da Metal Hammer vem com uma matéria que seja talvez uma das mais interessantes sobre o Avenged Sevenfold nesse ano, e uma das que mais vale a pena serem lidas, como o título na capa da própria revista já diz e chama atenção "A história secreta do Avenged Sevenfol".

É uma matéria que conta com histórias que vem desde a infância dos caras, passando pelo início na gravação dos primeiros álbuns até o sucesso com o City of Evil que apresentou de vez para o mundo todo o Avenged Sevenfold. Nós trazemos agora essa matéria completa traduzida pra vocês!

Com um numero histórico na contagem de downloads, Avenged Sevenfold. Pegamos uma viagem pela estrada das histórias dessa banda que só queria...

Ver o Mundo queimar!

Você acorda, na calada da noite, em pé, totalmente nu, em seu gramado, cercado por vidros quebrados e pedaços do telhado, sacudindo o punho e gritando para os céus, como a forma de uma bicicleta desaparece á noite, o som agudo de uma risada adolescente, formando uma raiva feroz em sua barriga, suficiente para se comparar a um arranha-céu. De novo não.

"Essas malditas crianças'' você ruge na escuridão enquanto a agonia do sono se dissipa lentamente em sua volta... "Bagunceiros do caralho! Pirralhos irresponsáveis! Futuros arquitetos da maior banda de metal do século 21!" Espere, o quê?

"O que eu posso dizer? nós nos metemos em muitos problemas" ri M. Shadows, vocalista conquistador de mega peso do metal, Avenged Sevenfold.

Isso seria o Avenged Sevenfold que aterrou um álbum número um de metal, raro, em ambos os lados do Atlântico, com o divisor de opiniões Hail to the king, e como a Metal Hammer descobriu o Avenged Sevenfold costumava fazer todo o tipo de travessura que você esperaria ver em The Beano enquanto eles estavam crescendo juntos em Huntington Beach, Califórnia, nos anos 90.

"Espero que seja impresso que eu não concordo com nada disso'' saliente M. Shadows com uma risada "Mas quando chegava o natal, e as pessoas começam a enfeitar suas casas com luzes de natal, nós íamos lá e tentávamos arrancar todas as luzes de todas as casas acesas. Nós pegávamos uma luz e dizíamos: "Já!" e pedalávamos nossas bicicletas enquanto arrancávamos a coisa toda da casa inteira. Eventualmente, a policia aparecia e nós tínhamos que cair fora. Nós tínhamos rotas de fuga A,B e C era só escolher uma e cair fora.

“Éramos aquelas crianças que invadiam lojas, roubavam bebidas e se metiam em brigas” diz com um sorriso Zacky Vengeance.

“Havia muito conflito. Matt era um encrenqueiro e tinha essa reputação na cidade inteira por se meter em problemas''

"Ha!" responde o cantor. "Bem, você sabe, acho que isso faz parte da minha infância."

De fato, o amadurecimento tem um papel monumental na jornada do Avenged Sevenfold. Desde os primeiros dias de travessuras ao excesso, decadência e controvérsia da época do City  of Evil (mais sobre isso depois)  é uma banda que raramente se esquiva de criar um ponto que pode incomodar de vez em quando. A Hammer acompanhou a banda á frente da criação da história na contagem de downloads, para fazer uma viagem pelas memórias de estradas, fazendo o inventário de sua incrível jornada e o caminho que os levou a este ponto em sua carreira, e fica claro que uma vez que você se depara com a frieza da mídia que abrange muitas das entrevistas de suas entrevistas, há uma calorosa história compartilhada pelo quinteto que os consolida como uma ''banda formada por irmãos'' rótulo que eles carregam com orgulho desde o inicio. E se há uma linha que corre através de muitas dessas histórias, é que um membro em especial parecia ser o coração de tudo...

"Assim que conheci o Jimmy, eu estava no acampamento de basquete durante o verão" lembra-se Shadows. "Eu sabia que Jimmy era um encrenqueiro porque ele tinha uma reputação como a de uma criança fora de controle. Nós saímos por ai, ele era do tipo que falava "Hey, vou sair de bicicleta, você quer ir no guidão?"
Então eu fui, e no caminho de casa eu derrubava todas as latas de lixo que eu conseguia. Então eu pensei "eu amo esse cara!" e descobri que ele vivia cinco casas depois da minha, então eu peguei a minha bicicleta e foi isso. Nos tornamos melhores amigos.

"Assim que eu conheci Jimmy, eu dei um soco nele" conta Synyster Gates. "Foi na oitava série. Eu me lembro de que estávamos na fila de envio de nossos projetos de carpintaria, e ele virou a cabeça e olhou pra mim como se eu fosse merda. Ele me acertou no peito, então eu o soquei, e nos fomos mandados para fora. Começamos a falar de musica e ficamos amigos até o final do nosso tempo do lado de fora''

Parece que não há dúvidas sobre Jimmy "The Rev" Sullivan, era o chefe instigador em grande parte da maluquice do Avenged em seus primeiros anos de mal comportamento, altas histórias em seu mini trailler Scamps Cali baiting Jinz, e as manchetes que surgiriam mais tarde. Como sabemos muito bem, a viagem teria um fim trágico e frustrantemente cedo naquele dia fatídico de Dezembro de 2009, mas a sua contribuição na história da banda continua imensurável. De fato, nos primeiros dias, quando o milênio se instalou, e os jovens de gangues turbulentas (agora uma banda com alguns shows em seus cintos) tinha realmente conseguido um estúdio para gravar um álbum, com um talento inacreditável, e sua abordagem um tanto... Incomum, as coisas se tornaram ainda mais evidentes.

“Jimmy tinha gravado toda a bateria em apenas uma tomada'', explica Shadows sobre seu álbum de 2001 de estreia, o Sounding the Seventh Trumpet "Havia muitos erros, mas ele era do tipo ''É uma tomada, vai ficar legal'' HAHAHA", mas foi um processo de aprendizagem.

''Foi completamente cru'' disse Zacky sobre a estreia promissora, mas falha da banda ''Nós não sabíamos o que estávamos fazendo! Fomos lá com um milhão de ideias e fizemos com um orçamento minúsculo. Escutando isso, não faz muito sentido, mas as ideias estavam lá''

''Nós tínhamos 17 anos, e estávamos escrevendo aquelas musicas em violões nas salas de aula'' Acrescenta Shadows.

''Nós escrevemos um monte de musicas e não sabíamos nada sobre gravação, faixas ou produção de modo que acabou como canções que um grupo de jovens de 17 anos escreveria. ''

Mesmo naquele momento no inicio da carreira, a ascensão do Avenged foi difícil e turbulenta. Um incidente notável em seu inicio envolveu a tentativa de suicídio de seu baixista da época, Justin Sane. "Ele tentou tomar vários frascos de remédio para tosse. Ele era um musico incrível, mas teve alguns problemas" Mas ainda assim, a estreia da banda continuou a ascender, e com isso, viria a sua notoriedade. Após o sucesso modesto de Sounding the Seventh Trumpet, e claro, o álbum que consolidou o Avenged como a mais quente propriedade do metal, trouxe com ele um gosto de caos e polêmica primordial, que vem com a possessão de tal titulo.

Embora, como a Hammer descobriu durante esta conversa particular, bem todos foram capazes de ser gentis com o futuro status que o clássico Waking the Fallen ganharia rapidamente.

"Enviamos nosso CD original para Andy Sneap (Produtor/mixador/gênio do Megadeth e Killswitch Engage), e ele escreveu um e-mail de volta que dizia: "Eu nunca irei trabalhar com vocês", ri Shadows "Ha! É engraçado, porque após o City of Evil, encontramos com Andy em Londres, e rimos sobre tudo isso, ele estava tipo: "Cara, eu não sabia que iria se transformar nisso, me sinto tão mal!"

Felizmente, a banda encontrou seu homem em Andy 'mudrock'  Murdrock, e o trabalho de produção foi além da perfeição, as musicas falavam por si só. Waking The Fallen foi lançado no verão de 2004 com grande aclamação por parte da critica, ainda hoje é retratado como um dos maiores álbuns de metalcore já registrado e um testemunho do talento gigante que o Avenged Sevenfold possuía desde jovens. À medida que o quinteto se viu crescendo repentinamente, não demorou para que entrassem até os joelhos naquele tipo de excesso e loucura movida a bebida que só existe na estrada.

"A primeira vez que tocamos no exterior foi no Reino Unido, abrindo para Lostprophets e The Bronx'' recorda Zacky. ''Cara, nós estávamos em uma van para seis pessoas, e nós estávamos fora de nós. Estávamos tão bêbados quanto poderíamos. Fizemos o melhor que conseguimos, e então fomos andando a pé para o bar, alguns fãs nos pagaram bebidas, e até o final da noite estávamos loucos. Nós ficamos de ressaca, fomos para a van e seguramos Johnny para que ele pudesse vomitar num canto da estrada. Essa foi a primeira vez que tivemos o gosto do que é sair em turnê, e tiramos todo o proveito que pudemos.

"Foi tudo que você pode imaginar: devassidão pura'' comenta Shadows. "Você esta lá fora, ficando louco e festejando todas as noites"

Previsivelmente, um grupo de garotos da Califórnia sendo lançados ao mundo a fora criou algumas situações, digamos, tensas. A mais famosa, e uma situação que levou a prisão de The Rev, em Crobar, logo após a estreia em Londres, em fevereiro de 2004. A banda divulgou um ridículo comunicado proposital para dissipar qualquer controvérsia restante, e finalmente descobrimos a verdade, e felizmente, é tão ridícula como esperávamos.

''O que acontece foi que estávamos em Crobar, que é o lugar para estar... Você sabe'' revela maliciosamente Shadows. ''Estávamos todos lá, e eu fui ao banheiro, onde havia apenas uma cabine, e eu realmente tinha que fazer xixi. A pessoa não sai, e eu acho que eles estavam fazendo merda, e eu estava tipo: "Porra cara" e comecei a fazer xixi na pia. Esse cara saiu e se virou para mim e começou a gritar comigo, e eu estava "foda-se" e o ignorei, e quando eu sai de lá, ele estava esperando por mim. '' ele: "Ei, você é cara que estava mijando na pia, qual é o seu problema?"
Então eu lhe dei um soco e uma enorme briga começou. Todos começaram a brigar, as pessoas estavam brigando nas ruas, sendo jogadas pelas janelas dos carros, sem brincadeira, foi uma loucura. Então a policia chegou, e o Jimmy começou a tirar sarro deles, porque eles não usam armas no Reino Unido. “Ele começou a zoar e a correr deles em círculos, e todos nos estávamos rindo, até que o ameaçaram e prenderam, e ele passou aquela noite na cadeia.”

''O mais engraçado é que quando os policiais chegaram esse cara não estava fazendo nada, apenas falando, e Jimmy lhe socou bem na frente do policial'' Acrescenta Syn ''Ele foi preso, e ai é onde nosso empresário entra, ele passou a noite toda tentando tirar o Jimmy da prisão para que ele pudesse tocar no show. ''

"Nós tocamos no Rock am Ring no dia seguinte" Lembra Shadows ''Mas Jimmy nem mesmo tomou banho''

Pode parecer uma história engraçada agora, mas o fato é que as coisas estavam ficando fora de controle para uma banda que ainda nem estava nos seus 20 anos.

"É inacreditável que tenhamos sobrevivido a essa turnê'' admite Syn. ''Realmente, qualquer noite poderia ir além, e não só por nossa causa, mas por se estar em um lugar estranho, tarde da noite. Havia pessoas ao seu redor que não parava de lhe pagar bebidas. Uma vez eu tinha 10 drinks de Aftershock na minha mão, eu poderia ter morrido envenenado por álcool! Ao final dessa primeira turnê pelo Reino Unido, ganhei 10 quilos e fiquei muito fodido''

Eles também falaram sobre o Waking the Fallen, City of Evil, os clipes de Beast and the Harlot e Bat Country:

''Foi muito divertido'' Conta Johnny, entusiasmado "Foi uma evolução natural da banda, estávamos prontos paras as festas, e faríamos isso em nossas musicas também''

''Foi muito divertido'' concorda Syn ''Foram os dias de glória, onde o metal transcendeu. Havia um publico muito maior e as grandes gravadoras estavam dispostas a dar muito mais dinheiro para vídeos loucos e turnês mais loucas ainda. As festas eram absurdamente loucas. No clipe de Beast and the Harlot, bebemos um maldito uísque todos os dias. Colocamos um monte de gente em uma porra de uma limusine, abrimos um champanhe e demos uma festa. ''

''Estávamos constantemente controlando uns aos outros, mas não havia quem desse o exemplo'' completa Syn. ''Se alguém me dissesse para não usar cocaína e eu ficasse muito bêbado, eu conseguiria alguma. Então as sete da manhã estaríamos fora de sí. Como eu disse ninguém dava o exemplo''

Como era o seu jeito, era também o de Rev, que festejava muito, e foi enlouquecendo seus colegas da banda, muitas vezes recebendo criticas e, finalmente entregando-se a seus vícios, na medida em que a banda foi forçada a tomar providencias.

"Enviamos Jimmy para a reabilitação por ter problemas com a cocaína'' revela Syn, e esclarece ''não era como se eu não soubesse que Jimmy tinha um problema, era uma tática de merda. Ele amava festejar, por isso aproveitávamos (e vice-versa), não importa o que era, bebida ou o que fosse, era tipo ''vamos te arrumar uma ajuda cara'' para acalmá-lo um pouco. E isso o ajudou, ele nunca mais usou cocaína em sua vida.

Synyster revela outra história que ele admite nunca ter revelado antes:

"Bem, ele nunca mais usou cocaína, exceto o dia em que saiu da reabilitação'' admite Syn com uma risada de culpa ''Essa foi minha culpa, peguei ele na reabilitação e fizemos uma sessão final de cocaína, ele jurou nunca mais fazer isso de novo. E ele nunca mais fez. Mas no momento em que ele saiu da reabilitação, fizemos uma ultima sessão de cocaína, escrevemos um monte de musicas de merda, e foi um grande dia! Eu nunca admiti isso pra ninguém, foi um pouco fodido."

Se ''um pouco fodido'' pode ser uma maneira de descrever a vida que o A7x teve no auge do seu hedonismo, isso só mostra metade da imagem controversa que perseguiu a banda antes da maturidade e antecipação que agora fica em seu psicológico. No final de 2005, durante a entrevista que seguiu sua primeira capa da Metal Hammer, a banda fez alguns comentários políticos inflamados que ainda assombram a percepção deles e de muitas pessoas até hoje. Apoiando abertamente o regime controverso de George W. Bush e afirmando sua oposição ao casamento gay, Shadows dificilmente se tornou querido tomou seu acento para os aposentos mais liberais do metal...

"Eu acho que há, e sempre vai haver pessoas que olham isso'' opina o cantor com um suspiro ''é um pouco embaraçoso, mas quando você é um garoto, você tem o direito de ser idiota às vezes, e eu acho que quando temos essa idade, temos diferentes pontos de vista. Não querendo voltar a política, mas eu sou tão socialmente liberal quanto se pode ser, e eu acho que as pessoas realmente não reparam isso nessa banda. Nos somos o tipo de pessoa que acha que você deve fazer o que quiser nesse planeta, e ninguém deveria ter o direito de dizer o contrario, contanto que você não machuque outra pessoa. Eu acho que essas entrevistas foram feitas com um monte de garotos jovens, que só queriam mostrar sua opinião, que não represente, necessariamente, a banda agora."

"Eu gostaria que tivéssemos tido a maturidade de apenas dizer ''Ei isso é pessoal, e privado'' ao invés de "Ei! foda-se, vamos votar em George Bush.'' Admite Syn com honestidade "Não é como nos sentimos. Não queremos que as pessoas chupem nossos paus republicanos, isso é só uma reação. Mas, você vive e aprende, e várias bandas falam um monte de
Merda. Eu não acho que alguém tenha sido exceção, especialmente tão jovem. ''

"É meio difícil olhar para trás nesses assuntos, sinceramente" completa Johnny com uma careta. “Algumas citações são tipo ‘Ahh cara’ e mesmo no momento em que saímos nós ficamos ‘Nós realmente dissemos isso?”
“No final do dia, nós temos que rir disso, afinal nós éramos 'crianças tendo nosso primeiro gosto de sucesso global. ' Você vive, aprende, e se diverte com isso.”

Você ainda é contra o casamento gay? "Não, nem perto disso" dispara Shadows, sem pensar duas vezes. "Sinceramente, eu não ligo para o que você faz com a sua vida, e eu não acho que as pessoas deveriam tomar conta das vidas das outras pessoas."

"Eu posso me meter em problemas aqui" ele continua "Mas eu acho que tudo deveria ser legal, até que você se prove errado, você deveria fazer o que você quiser na sua vida, e isso inclui drogas, prostituição e tudo mais. Sobre o casamento, eu acho que se alguém quiser casar com qualquer pessoa nesse planeta, ela deveria poder fazer isso."

"Sempre fomos a favor de direitos iguais" confirma Syn "Só quero deixar isso claro".

Tradução: Thamires Rocha
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